"A natureza é o único livro que oferece um conteúdo valioso em todas as suas folhas." (Johan Wolfgang Von Goethe)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Preparando os alunos para ir ao teatro

   Para a turma aproveitar ao máximo uma peça teatral, é importante iniciar em sala o trabalho de apreciação.

"A arte necessita de conhecimento. E a observação da arte só poderá levar a um prazer verdadeiro se houver uma arte da observação." Essa é uma das ideias defendidas pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956) que pode servir de inspiração para pensar em como fazer o trabalho em sala quando o assunto é linguagem teatral.

   Apreciar, uma das competências básicas a ser desenvolvida na disciplina de Arte, não pode significar simplesmente levar a turma ao teatro (tal como olhar para um quadro, no caso das artes visuais, e escutar uma composição, no caso da música). Até os sinônimos atribuídos ao termo apreciação - julgamento, avaliação, juízo - apontam que se trata de algo mais reflexivo.

   O foco do trabalho deve ser fazer as crianças desenvolverem um olhar e uma escuta atentos quando assistem a espetáculos. "Elas precisam perceber significados da obra em questão: o que há por trás dos gestos dos intérpretes, e dos outros elementos", diz Dirce de Carvalho, professora da Faculdade de Arte, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) (leia a sequência didática).

   Para que isso ocorra, a intervenção do professor é fundamental, o que não quer dizer que ele tenha de direcionar de maneira rígida o momento da fruição. "Os estudantes têm de ter espaço para construir percepções próprias a respeito do espetáculo e vivenciar a experiência com autonomia crítica. Apreciar não é sinônimo de gostar", diz Narciso Telles, professor do curso de Teatro e do Programa de pós-graduação em Arte da UFU. Em outras palavras, eles têm de construir ligações entre a manifestação artística e o repertório pessoal. E o papel do educador é fornecer elementos que provoquem questionamentos, inspirem reflexões e ampliem a visão da turma sobre o teatro em geral e a respeito da peça. Um trabalho que precisa ser feito antes de a trupe entrar em cena.

        Apreciação e reflexão devem ser planejados juntos 

  Materiais informativos produzidos a respeito de peças teatrais, como críticas e resenhas, são recursos interessantes a explorar com o grupo para preparar o momento da fruição. Estudar com os alunos o tipo de peça que será prestigiado (drama ou comédia, por exemplo), onde ela será apresentada (no teatro de arena ou na rua) e o enredo é uma atitude muito importante para que todos tenham ideia do que presenciarão.

   Na EMEF Prefeito Adhemar de Barros, na capital paulista, a professora de Arte Vera Parente tem o hábito de recolher imagens e textos sobre os espetáculos que as crianças do 1º, 2º e 4º ano vão assistir e apresentar tudo previamente para elas. O objetivo é fomentar um diálogo para que a turma fale sobre suas expectativas e faça perguntas a respeito do espetáculo. "Quando é chegada a hora, todos já estão aguçados e bem embasados para buscar significados nas entrelinhas da obra e também têm informações para embarcar na experiência, fazendo as próprias conexões de saberes."

   Para ajudar os estudantes a aprender o que e como apreciar um espetáculo, é importante que todo professor seja um apreciador consciente e saiba que, quando se é espectador, não basta compreender a trama: são vários os elementos que merecem atenção. E, se possível, você deve sempre assistir à peça antes do grupo - não para adiantar informações, mas para checar se o produto tem qualidade e é adequado à faixa etária e também para poder contar sua experiência como apreciador, servindo como modelo. "A iluminação do espetáculo é bonita", "quando começa a tocar música, os atores convidam a plateia a cantar com eles" e "gostei da peça porque o último ato é surpreendente" são falas interessantes e que certamente deixarão as crianças instigadas. Quando não há a possibilidade de se adiantar ao grupo, vale a pena levantar com a turma dúvidas e expectativas sobre a apresentação.

   Depois de assistir à peça, é normal que a criançada fique eufórica para falar sobre o espetáculo e esse é o momento de complementar o trabalho, encaminhando a turma para a reflexão. É importantíssimo ajudar os alunos a falar mais "gostei" ou "não gostei" e ir além das simples descrições. Todos concordam com as críticas que foram lidas antes de ir ao teatro?  As imagens do cartaz da peça retratam bem o que foi visto no palco? Como eles recomendariam o espetáculo para os colegas de turma?

   Perceba que, embora sejam momentos distintos, a apreciação e a reflexão devem estar associadas. "Um espectador que observa e aprecia se torna apto a fazer sua leitura crítica do espetáculo e amplia seu repertório para outras linguagens artísticas", explica Dirce. 


Os erros mais comuns:


  - Depois da peça, propor que os alunos respondam a questionários para avaliar a apreciação. É uma atitude reducionista, já que a apreciação é uma experiência individual. Melhor organizar uma roda de conversa para que todos exponham suas opiniões e compreendam que existem diversas maneiras de compreender a arte.

   - Levar as crianças ao teatro ou a qualquer outra atração externa como se fosse um programa familiar. A escola tem de organizar passeios com objetivos didáticos e para isso é necessário planejar os objetivos e as atividades a serem desenvolvidas.

 Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/arte/pratica-pedagogica/como-preparar-alunos-ir-ao-teatro-arte-apreciacao-617885.shtml?page=1

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MATERIAL ESCOLAR - COMO ECONOMIZAR NA PAPELARIA

   Com esse corre-corre para comprar o material escolar muitos esquecem dicas básicas mas essenciais para não estourar o orçamento. Confira algumas dicas do site Brasil Escola.



1º - Antes de sair às compras, verifique os materiais do ano ou semestre anterior para saber o que você pode reaproveitar.

2º - Compre apenas os materiais mais básicos, deixe para o período pós-volta às aulas para comprar os demais materiais, pois os preços tendem a cair.

3º - É sempre melhor pesquisar antes de comprar, pois os materiais escolares sofrem variação de preço de uma papelaria, ou livraria, para outra.

4º - Pesquise também as marcas, pois uma marca menos conhecida pode oferecer materiais tão bons quanto os de marca famosa.

5º - Evite levar seu filho para comprar os materiais, pois ele provavelmente vai optar por produtos da “moda”.

6º - Fique alerta com a compra no cartão de crédito e no cheque especial.



Por Eliene Percília
Equipe Brasil Escola.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Caderno - Toquinho

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel...
Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas             
Bimestrais, você vai ver                           
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel...
Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel...
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer...
Só peço, à você
Um favor, se puder
Não me esqueça Num canto qualquer...(2x)     

                                          

Estudo Errado - Gabriel O Pensador


Eu tô aqui Pra quê?
Será que é pra aprender?
Ou será que é pra aceitar, me acomodar e obedecer?
Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater
Sem recreio de saco cheio porque eu não fiz o dever
A professora já tá de marcação porque sempre me pega
Disfarçando espiando colando toda prova dos colegas
E ela esfrega na minha cara um zero bem redondo
E quando chega o boletim lá em casa eu me escondo
Eu quero jogar botão, vídeo-game, bola de gude
Mas meus pais só querem que eu "vá pra aula!" e "estude!"
Então dessa vez eu vou estudar até decorar cumpádi
Pra me dar bem e minha mãe deixar ficar acordado até mais tarde
Ou quem sabe aumentar minha mesada
Pra eu comprar mais revistinha (do Cascão?)
Não. De mulher pelada
A diversão é limitada e o meu pai não tem tempo pra nada
E a entrada no cinema é censurada (vai pra casa pirralhada!)
A rua é perigosa então eu vejo televisão
(Tá lá mais um corpo estendido no chão)
Na hora do jornal eu desligo porque eu nem sei nem o que é inflação
- Ué não te ensinaram?
- Não. A maioria das matérias que eles dão eu acho inútil
Em vão, pouco interessantes, eu fico pu..
Tô cansado de estudar, de madrugar, que sacrilégio
(Vai pro colégio!!)
Então eu fui relendo tudo até a prova começar
Voltei louco pra contar:

Manhê! Tirei um dez na prova
Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova
Decorei toda lição
Não errei nenhuma questão
Não aprendi nada de bom
Mas tirei dez (boa filhão!)
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Decoreba: esse é o método de ensino
Eles me tratam como ameba e assim eu num raciocino
Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos
Desse jeito até história fica chato
Mas os velhos me disseram que o "porque" é o segredo
Então quando eu num entendo nada, eu levanto o dedo
Porque eu quero usar a mente pra ficar inteligente
Eu sei que ainda num sou gente grande, mas eu já sou gente
E sei que o estudo é uma coisa boa
O problema é que sem motivação a gente enjoa
O sistema bota um monte de abobrinha no programa
Mas pra aprender a ser um ingonorante (...)
Ah, um ignorante, por mim eu nem saía da minha cama (Ah, deixa eu dormir)
Eu gosto dos professores e eu preciso de um mestre
Mas eu prefiro que eles me ensinem alguma coisa que preste
- O que é corrupção? Pra que serve um deputado?
Não me diga que o Brasil foi descoberto por acaso!
Ou que a minhoca é hermafrodita
Ou sobre a tênia solitária.
Não me faça decorar as capitanias hereditárias!! (...)
Vamos fugir dessa jaula!
"Hoje eu tô feliz" (matou o presidente?)
Não. A aula
Matei a aula porque num dava
Eu não agüentava mais
E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais
Mas se eles fossem da minha idade eles entenderiam
(Esse num é o valor que um aluno merecia!)
Íííh... Sujô (Hein?)
O inspetor!
(Acabou a farra, já pra sala do coordenador!)
Achei que ia ser suspenso mas era só pra conversar
E me disseram que a escola era meu segundo lar
E é verdade, eu aprendo muita coisa realmente
Faço amigos, conheço gente, mas não quero estudar pra sempre!
Então eu vou passar de ano
Não tenho outra saída
Mas o ideal é que a escola me prepare pra vida
Discutindo e ensinando os problemas atuais
E não me dando as mesmas aulas que eles deram pros meus pais
Com matérias das quais eles não lembram mais nada
E quando eu tiro dez é sempre a mesma palhaçada

Refrão
Encarem as crianças com mais seriedade
Pois na escola é onde formamos nossa personalidade
Vocês tratam a educação como um negócio onde a ganância a exploração e a indiferença são sócios
Quem devia lucrar só é prejudicado
Assim cês vão criar uma geração de revoltados
Tá tudo errado e eu já tou de saco cheio
Agora me dá minha bola e deixa eu ir embora pro recreio...
 
Ficha Técnica:
Estudo Errado - Gabriel O Pensador
Intérprete: Gabriel
Vocal: Aríssia Mess
Vozes extra: Miguel Contino, Jorge "Tito", Fabio Fonseca, Fátima Regina
Coro de crianças: Gabriel e Betina Faria, Luis Felipe, Juliana e Bernardo Leal, Rodrigo Campbell, Gabriel Nunes
Baixo teclado: Fabio Fonseca e Márcio Miranda
Teclados: Fabio Fonseca
Samples: Genius of Love (Tom Tom Club)
 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Planejamento: Semana pedagógica: o que não pode faltar

Foto: Paulo Vitalle

                                                                               
Organização:
   Se é verdade que um bom planejamento evita problemas posteriores, certamente a primeira semana do ano é a mais importante para qualquer escola: é quando os gestores e a equipe pedagógica se reúnem para projetar os próximos 200 dias letivos e fazer a revisão do Projeto Político Pedagógico (PPP) - o documento que marca a identidade da escola e indica os caminhos para que os objetivos educacionais sejam   atingidos. É o momento de integrar os professores que estão chegando, colocando-os em contato com o jeito de trabalhar do grupo, e, claro, mostrar os dados da escola para todos os docentes, além de apresentar as informações sobre as turmas para as quais cada um vai lecionar.

    Antes de produzir esta reportagem, perguntamos a diretores e coordenadores pedagógicos, em nosso site, quais as principais dúvidas em relação à semana de planejamento. Recebemos 45 mensagens, questionando desde como organizar os encontros (e quem deve participar deles) até incertezas sobre os temas a debater. Para ajudar esses e outros leitores, sugerimos um cronograma para cinco dias de planejamento, com indicações sobre o que fazer em cada um deles e ideias práticas para conduzir os trabalhos.


    A semana pedagógica, nunca é demais lembrar, não se restringe a esse período - pelo menos para os gestores. Érika Virgílio Rodrigues da Cunha, professora de Didática, Currículo e Avaliação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), afirma que o diretor deve planejar com antecedência, executar a agenda definida e acompanhar os resultados durante o ano. A preparação prévia está reunida no quadro abaixo, e as dicas para garantir um bom acompanhamento dos resultados, no último quadro desta reportagem. O planejamento da semana em si ocupa as próximas páginas.


    Uma regra geral é começar o encontro pela discussão dos grandes temas e depois partir para os desafios específicos. Para o presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Barbosa de Camargo, a melhor maneira de fazer isso é preparar bons diagnósticos. "As decisões essenciais decorrem da reflexão sobre os rumos que a escola quer percorrer", diz.


    O cronograma apresentado a seguir é apenas uma sugestão para ajudar você no planejamento da semana. Dependendo do tamanho da sua equipe docente e da escola, faça as adequações necessárias.

    
    PRIMEIRO DIA
Manhã: Recepção e apresentação
Este é o momento de dar as boas-vindas a todos e acolher os novos professores e funcionários de apoio.

   Proposta de reunião
Peça aos participantes que se apresentem, contando rapidamente em que área trabalham e um pouco do histórico profissional. Em seguida, fale sobre o perfil da comunidade e das famílias atendidas. Com base no regimento da escola, explique como são combinadas as regras e como funciona a divulgação de informações administrativas. Fale um pouco da rotina da escola. Compartilhe também os novos materiais e equipamentos adquiridos e, caso tenha havido alguma reforma ou construção, convide o grupo para uma visita ao local. Divulgue a programação da semana pedagógica para que a equipe saiba de quais reuniões participarão e os assuntos que serão abordados. Assim, todos podem se preparar. Separe um tempo para esclarecer dúvidas.
    
    SEGUNDO DIA
Manhã : Organização de agendas
Use o segundo dia para apresentar o calendário escolar e definir a grade horária das salas, que já foi previamente elaborada com o coordenador.

Proposta de reunião

Entregue uma cópia do calendário à equipe e explique os itens marcados. Caso surjam propostas de mudança, cabe avaliar as alterações. No caso da grade horária das turmas, peça que cada um analise se sua área terá um bom funcionamento diante da programação sugerida. As merendeiras, por exemplo, conseguirão providenciar a merenda nos intervalos escalonados? E o pessoal da limpeza dá conta de preparar o laboratório para as aulas de Química se elas são em sequência? Defina os horários de formação permanente em que toda a equipe docente deverá estar presente e os que serão realizados somente com os professores de uma disciplina ou ciclo, tomando o cuidado de escolher data e hora em que todos possam estar presentes. Para isso, é essencial levar em conta, inclusive, a agenda dos professores que lecionam em outras escolas.
    
   TERCEIRO DIA
O dia todo: Passagem de turma
Este é o dia em que os professores se dedicam a conhecer as turmas com as quais vão trabalhar durante o ano e os funcionários dos serviços de apoio analisam a rotina de trabalho.

Proposta de reunião
Aqui, o foco está no passado: cada professor fala da sala com a qual trabalhou no ano anterior, segundo um roteiro definido pelo coordenador pedagógico. Se um educador saiu da escola, um membro da equipe gestora deve assumir a tarefa. Certifique-se de que sejam abordadas as características gerais da turma, como os conteúdos trabalhados e os resultados das avaliações. Recupere documentos como mapas de aprendizagem e fichas de alunos para a análise dos docentes. Nas escolas que tenham o Ensino Fundamental completo, é essencial que o professor do antigo 5º ano converse com todos os do 6º ano para ajudar os colegas a criar um ambiente que facilite a adaptação ao novo ciclo. Preveja um orador para falar sobre os avanços em cada área e outro para discorrer sobre o perfil das turmas dos últimos anos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.
    
    QUARTO DIA
O dia todo: Plano de ensino
Momento de os professores se dedicarem ao planejamento geral da disciplina que ensinam. A equipe de gestão acompanha o trabalho como mediadora entre os colegas que vão compartilhar o mesmo plano e supervisiona os resultados. Os funcionários de apoio podem ser dispensados neste dia - com exceção das merendeiras -, mas deverão estar presentes no encerramento, no dia seguinte.

Proposta de reunião
Neste dia, os professores alinham os planos de ensino, distribuindo os conteúdos que serão trabalhados por bimestre (ou trimestre) e definindo os principais projetos e sequências didáticas, sempre usando como base o PPP, a matriz curricular da rede e as experiências de cada profissional. Proponha que eles preparem uma apresentação com as linhas gerais para o dia seguinte. Pergunte se alguém vai precisar de material e disponibilize a sala de informática, se for o caso. Ao acompanhar as discussões, os gestores garantem que os objetivos da escola sejam contemplados no plano de ensino de todas as áreas.

   QUINTO DIA
Manhã: Apresentação do plano de ensino
Depois de um dia de discussão, os professores precisam de um espaço para apresentar os planos e discuti-los com os colegas. Esse procedimento ajuda a dar unidade ao currículo.

Proposta de reunião

O coordenador pedagógico pode montar uma proposta para que todos os professores apresentem os planos de ensino para o ano que começa. O papel do gestor neste dia é contribuir para o aprimoramento do planejamento e estimular a equipe a dar sugestões.
Convoque todos os professores para ouvir as exposições dos colegas, participar dos debates e, dessa forma, conhecer o plano de ensino de toda a escola.

E um excelente planejamento para sua escola!

        Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/coordenador-pedagogico/semana-pedagogica-que-nao-pode-faltar-coordenacao-planejamento-515720.shtml?page=5

Inclusão: Alunos surdos cantam, dançam e interpretam na aula de Arte

   Trabalhar música, dança e teatro com alunos surdos ainda é raridade. Conheça três exemplos de professores que fazem isso com qualidade.  

TEATRO INCLUSIVO
Na EM Severino Travi, alunos ouvintes e surdos exibem-se em palcos de festivais e outras escolas. Foto: Tamires KoppTEATRO INCLUSIVO Na EM Severino Travi, alunos ouvintes e surdos exibem-se em palcos de festivais e outras escolas.
   Há muito tempo, se fala em inclusão de crianças com deficiência nas escolas. Cenas como a da foto acima, porém, continuam sendo raras. Trata-se de um grupo de teatro escolar que mistura alunos deficientes auditivos com ouvintes. Na EM Severino Travi, em Canela, a 122 quilômetros de Porto Alegre, as atividades de Arte integram normalmente os surdos. A trupe teatral já participou de vários festivais, ganhou prêmios e sempre é muito aplaudida. Além disso, a garotada tem uma fanfarra - e todos concordam que o contato com as diferentes expressões artísticas ajuda a turma também nas outras disciplinas, sem falar na integração entre os alunos. A Severino Travi, no entanto, ainda é exceção.

    Mas, ainda que o número de surdos matriculados em escolas regulares venha aumentando (só nos últimos dois anos, o crescimento foi de 21%, segundo o Censo Escolar), os próprios especialistas têm dificuldades em indicar boas experiências de ensino de Arte que incluam esse público específico. Para produzir esta reportagem, por exemplo, NOVA ESCOLA entrou em contato com todas as Secretarias estaduais de Educação e com dezenas de municipais. Nenhuma delas conhecia boas escolas para indicar.


    Felizmente, há (sim) professores desenvolvendo bons trabalhos de Arte que incluem crianças e jovens que sofrem, em algum grau, com a deficiência auditiva. E, como acontece com as outras disciplinas, os resultados são sempre muito animadores. Os surdos estão mais habituados a gesticular e perceber emoções nos outros. Por isso, quando convocados a se expressar por meio de caras, bocas e movimentos do corpo, eles tiram de letra. "Para aproveitar melhor essa habilidade, é essencial explorar linguagens diferentes", diz Daniela Alonso, especialista em inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. "Para ficar no exemplo do teatro, é possível montar um espetáculo falado na Linguagem Brasileira de Sinais (libras), trabalhar com mímica ou mesmo criar personagens que não falam, mas interagem com os outros."


    Basta lembrar que, antes de surgir a tecnologia que permitiu criar filmes falados, todo mundo entendia o cinema mudo. Nas artes visuais, a audição não costuma ser o sentido mais importante. E muita gente sabe que, para dançar, basta sentir a vibração da música (e não é preciso ouvir para sentir essa vibração). Nesta reportagem, você vai conhecer as histórias de três escolas que desenvolvem projetos de qualidade que incluem jovens surdos em atividades de teatro, dança e música. Afinal, como escreveu o russo Leon Tolstói (1828-1910), a Arte é mesmo "um dos meios que unem os homens".
     
         Boas formas de usar o intérprete nas aulas de teatro:
 
PROTAGONISTAS E COADJUVANTES Na EE Clarisse Fecury, em
Rio Branco, alunos surdos participam normalmente das classes de Teatro do 5º ano.
A garotada já fez peças sem diálogos, espetáculos de
dança, cenas usando libras
e montagens com falas.
PROTAGONISTAS E COADJUVANTES Na EE Clarisse Fecury, em Rio Branco, alunos surdos participam normalmente das classes de Teatro do 5º ano. A garotada já fez peças sem diálogos, espetáculos de dança, cenas usando libras e montagens com falas. "Explorar as possibilidades permite que todos sejam protagonistas. Do contrário, os surdos só interpretam papéis coadjuvantes", diz Simone Araújo da Costa, a professora, que conta com a ajuda de uma intérprete.
    Simone Araújo da Costa, da EE Clarisse Fecury, em Rio Branco, conta com uma ajuda especial em suas aulas de Teatro. Como ela tem quatro alunos surdos na turma de 5º ano, a intérprete Jardilene Lopes participa de todas as atividades preparadas pela professora. Tudo o que Simone ensina, Jardilene traduz para libras. Assim, ela ajuda as crianças com deficiência a acompanhar as tarefas, que são sempre diversificadas: peças tradicionais, outras só em linguagem de sinais e algumas com destaque para a dança. Tudo para permitir que os estudantes atuem em papéis diferentes e conheçam estilos diversos de encenar textos teatrais (leia mais na legenda da foto acima).
    Vale lembrar que foi só em 2005 que entrou em vigor a lei que garante o direito de ter um intérprete na sala de aula. Mas outra mudança, dizem os especialistas, também foi fundamental para aumentar a participação dos surdos nas escolas regulares. "As famílias estão mais conscientes sobre as possibilidades dos filhos. Essa mudança de postura foi a grande responsável pelo aumento do número de matrículas", diz Maria Sílvia Cárnio, coordenadora de um grupo de teatro com surdos e docente do curso de Fonoaudiologia da Universidade de São Paulo (USP). "Ser participante de uma manifestação artística melhora muito a visão que o aluno tem de si próprio. No palco, ele está no centro e se sente ainda mais integrado", completa.

    No dia a dia, há outros benefícios importantes. O teatro auxilia também no aprendizado da Língua Portuguesa. "A leitura das peças melhora a escrita e ajuda a entender as regras gramaticais, a ampliar o repertório cultural e a desenvolver a oralização daqueles que conseguem falar", destaca Maria Sílvia. Em Rio Branco, todos têm muito contato com a língua escrita: ao apreciar montagens em vídeo, acompanham as histórias com legendas e, ao ler textos teatrais, aprendem a importância da pontuação para transmitir as ideias - como não existem pontuação e entonação em libras, aprender o português formal não é tão simples para os deficientes auditivos.

Ensinar música para surdos pode parecer muito difícil. Mas basta lembrar que Beethoven (1770-1827) se tornou um gênio do cenário erudito depois que perdeu a audição. Por não ouvirem, os surdos têm os outros sentidos mais aguçados, o que lhes permite, por exemplo, captar com relativa facilidade as oscilações geradas pelas ondas sonoras. É por isso que eles conseguem notar a aproximação de uma pessoa. E é essa vibração a chave para atividades com instrumentos em classe.

    A EM Severino Travi, citada no início desta reportagem, faz isso há algum tempo com a garotada de 5º ano. O professor Rogério Heurich é também o maestro da fanfarra da escola, que conta com a participação de vários estudantes deficientes auditivos - quase todos eles tocam instrumentos de percussão.


    No início, os gestos usados para reger se confundiam com os sinais de libras. Junto com o intérprete da escola, ele bolou um jeito diferente de reger e acabou com os problemas de comunicação (leia mais na legenda da foto da página seguinte). "A surdez não é uma barreira. Como esses meninos são mais sensíveis às vibrações sonoras, conseguem grande precisão na hora de usar a força", explica Rogério .

NOVAS FORMAS DE COMUNICAÇÃO A maior dificuldade do professor Rogério Heurich
nas aulas de música era
se comunicar: os sinais usados pelos maestros eram difíceis de entender para os jovens surdos da EM Severino Travi, em Canela, no interior gaúcho. Com o auxílio da intérprete, ele criou gestos especiais, misturados com libras.
NOVAS FORMAS DE COMUNICAÇÃO A maior dificuldade do professor Rogério Heurich nas aulas de música era se comunicar: os sinais usados pelos maestros eram difíceis de entender para os jovens surdos da EM Severino Travi, em Canela, no interior gaúcho. Com o auxílio da intérprete, ele criou gestos especiais, misturados com libras. "Agora que o ano está terminando, eles nem precisam mais que eu aponte os erros. Às vezes, ajudam os colegas ouvintes a entrar no ritmo", orgulha-se.
                       Explorando as imagens para dançar:
IMAGENS QUE VIRAM MOVIMENTO Primeiro, foram selecionadas imagens que inspiravam movimentos. Em seguida,
os estudantes montaram uma sequência. Assim, as meninas surdas do CE Colemar Natal
e Silva, em Goiânia, acompanharam as aulas
de dança.
IMAGENS QUE VIRAM MOVIMENTO Primeiro, foram selecionadas imagens que inspiravam movimentos. Em seguida, os estudantes montaram uma sequência. Assim, as meninas surdas do CE Colemar Natal e Silva, em Goiânia, acompanharam as aulas de dança. "Os alunos podem inventar passos, analisar movimentos e pensar sobre o conteúdo, em vez de só copiar a coreografia", diz a professora Ana Paula Ruggiero.
   Na dança, a oscilação do som também tem papel importante. A vibração da música ajuda a marcar o ritmo - assim como o sapateado ou a marcação num tambor. Mas há várias outras formas de trabalhar coreografias em classe. "Luzes permitem indicar tempos no espetáculo", lembra Ana Paula Ruggiero, do CE Colemar Natal e Silva, em Goiânia. Ela conta que, no começo, sofreu para se comunicar com os alunos surdos do 5º ano, pois eles confundiam os sinais de libras com movimentos que a professora queria ensinar. A solução encontrada por Ana Paula foi explorar o sentido da visão. Em vez de partir diretamente para exercícios corporais, ela utilizou algumas aulas para trabalhar com imagens que remetem a movimentos, escolhidas pelos próprios alunos (leia mais na legenda da foto da página à esquerda). Ao combinar com eles o que cada ilustração queria dizer, no contexto da montagem que o grupo estava fazendo, ficou mais fácil para todos. Em vez de gesticular, a professora espalhou os desenhos pelas paredes da sala, o que permitiu que a moçada seguisse os passos da coreografia ensaiada em conjunto.

    "Pegar a foto de uma bailarina em cena e fazer com que os alunos apenas copiem não aproveita o poder de criação que eles têm. Até figuras abstratas podem ser trabalhadas com a turma desde que o professor atribua um sentido às imagens e avance nessa aprendizagem", afirma Lúcia Reily, especialista em Arte na Educação Especial da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo. Como você viu aqui, incluir crianças e jovens com deficiência auditiva traz vantagens para todos. Os surdos, que muitas vezes se fecham num grupo (pela dificuldade de se comunicar), passam a se integrar mais. Já os ouvintes têm acesso à linguagem de sinais, o que facilita o contato com os colegas. Nas aulas de Arte, que naturalmente favorecem as trocas, esse interesse em compreender o outro aumenta. Os professores entrevistados contam que os surdos ficam mais sociáveis e, ao descobrir novas formas de se expressar, passam a se interessar mais pelas outras disciplinas também.
Disponível em : http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/alunos-surdos-cantam-dancam-interpretam-aula-arte-611922.shtml?page=2

Aprecie algumas obras de Romero Brito !!!





sábado, 18 de dezembro de 2010

Philippe Perrenoud

O sociólogo suíço Philippe Perrenoud discorre sobre temas como formação, avaliação e desenvolvimento de competências.

Foto: Juliet Piper
"Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos para solucionar uma série de situações", diz Perrenoud.
     “Ele trouxe definitivamente à berlinda a discussão do profissionalismo”, ressalta Suzana Moreira, coordenadora pedagógica da Escola Projeto Vida, responsável por cursos de capacitação nas redes pública e particular. Nesse trabalho, ela incentiva a postura reflexiva destacada por Perrenoud. Numa primeira etapa, Suzana assiste a algumas aulas. Em seguida, conversa com o professor e faz com que ele questione a própria atuação. “Só depois de uma reflexão sobre erros e acertos, eu passo os referenciais teóricos. Todos têm o direito de errar para evoluir.”

      Perrenoud auxilia nessa tarefa ao levantar as grandes dificuldades encontradas por quem assume uma sala de aula. Quando escreveu sobre a comunicação entre aluno e professor, por exemplo, ele fez um levantamento para saber o que o segundo anotava nos cadernos e boletins dos primeiros. Pediu também, nas entrevistas com os colegas, uma lista de observações sobre o que se perde quando a comunicação em classe não funciona. Ao combinar essas informações, chegou a 11 dilemas sobre o assunto, como “Deixar falar ou fazer ficar quieto?” e “Como fazer justiça, sem interferir nas regras do jogo social?” “Embora não aponte a solução, ele tem o mérito de identificar os problemas”, afirma Lino de Macedo, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.  
      Esse é um dos pontos mais reconhecidos de seu trabalho. “Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.) para solucionar uma série de situações”, explica ele. “Localizar-se numa cidade desconhecida, por exemplo, mobiliza as capacidades de ler um mapa, pedir informações; mais os saberes de referências geográficas e de escala.” A descrição de cada competência, diz , deve partir da análise de situações específicas.

A abordagem por competência também é utilizada quando Perrenoud fixa objetivos na formação profissional. No livro 10 Novas Competências para Ensinar, ele relaciona o que é imprescindível saber para ensinar bem numa sociedade em que o conhecimento está cada vez mais acessível:


1- Organizar e dirigir situações de aprendizagem;

2- Administrar a progressão das aprendizagens;

3- Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação;

4- Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho;

5- Trabalhar em equipe;

6- Participar da administração escolar;

7- Informar e envolver os pais;

8- Utilizar novas tecnologias;

9- Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão;

10- Administrar a própria formação.

       Biografia: doutor em sociologia e antropologia, ele dá aulas nas Faculdades de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Genebra, nas áreas de currículo, práticas pedagógicas e instituições de formação. Escreveu 10 Novas Competências para Ensinar (Ed. Artmed); Ensinar: Agir na Urgência, Decidir na Incerteza, (Ed. Artmed) entre outros

O que ele diz: relaciona num de seus livros as dez novas competências para ensinar. Também fala sobre avaliação, pedagogia diferenciada e formação

Um alerta: as dez competências não contemplam todas as relações que se estabelecem em sala de aula. Por isso, nunca deixe de lado sua sensibilidade e afetividade.

O sociólogo suíço Philippe Perrenoud é um dos novos autores mais lidos no Brasil. Com nove títulos publicados em português, vendeu nos últimos três anos mais de 80 mil exemplares. O principal motivo do sucesso é o fato de ele discorrer, de forma clara e explicativa, sobre temas complexos e atuais, como formação, avaliação, pedagogia diferenciada e, principalmente, o desenvolvimento de competências.

Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/materias_296368.shtml?page=page1

Por que o Ensino Médio precisa mudar?


Como aumentar a audiência no Ensino Médio? Para tentar responder a essa pergunta, o Instituto Unibanco, que apoia o EDUCAR PARA CRESCER, realizou um seminário na última sexta-feira, 26, com a presença de especialistas em Educação, que falaram sobre o Ensino Médio no mundo e as perspectivas brasileiras. Entre os palestrantes, estavam os economistas Claudio de Moura Castro e Ricardo Paes de Barros, a ex-diretora-adjunta do International Institute for Educational Planning/Unesco Françoise Caillods, o sociólogo Simon Schwartzman, a superintendente-executiva do Instituto Unibanco, Wanda Engel, o ex-presidente do Inep Reynaldo Fernandes e o professor da UFMG José Francisco Soares.

Durante o seminário, ficou claro que não é apenas no Brasil que o Ensino Médio tem problemas de evasão e desinteresse. A grande questão hoje é como tornar essa etapa da vida escolar interessante para os adolescentes, tanto aqui como em outros países do mundo. “Os jovens são muito presente-orientados. O Ensino Médio precisa trazer mais benefícios imediatos, assim como benefícios futuros”, afirmou Reynaldo Fernandes. Para Claudio de Moura Castro, “a escola brasileira não é a escola de aprender, é a escola de ouvir falar. Os professores passam o conteúdo por cima, pois acham que tudo é importante. A mudança na Educação brasileira passa fundamentalmente pela revisão da ideia do excesso de matéria”.
A francesa Françoise Caillods apresentou o exemplo dos Estados Unidos, que foi o primeiro país a tornar o Ensino Médio obrigatório, no início do século XX. Ela apresentou dados que mostram que quem passa mais tempo na sala de aula possui uma perspectiva financeira melhor. Mas parece que isso não é suficiente para os jovens. Pelo menos não para aqueles que estão abandonando a escola.
Para o economista Ricardo Paes de Barros, a solução para a crise de audiência do Ensino Médio passa pela flexibilidade e atratividade da escola. Uma das experiências apontadas como bem sucedidas para manter os jovens na escola vem do Estado de Goiás. Lá, o conteúdo do Ensino Médio foi dividido em seis períodos de seis meses. Assim, o aluno é incentivado a estudar durante todo o ano letivo e, em caso de reprovação, não perde um ano inteiro, mas apenas seis meses.

Dois estudos fomentados pelo Instituto Unibanco e apresentadas na quinta-feira por pesquisadores da Fundace e da FGV apresentaram um diagnóstico da evasão no Ensino Médio. De acordo com as pesquisas, o mau desempenho no Ensino Fundamental e a distorção idade-série são fatores determinantes para os altos índices de abandono e evasão na etapa seguinte. A verdade é que não existe fórmula mágica para resolver a crise de audiência no Ensino Médio, mas refletir e fazer um diagnóstico do problema já é um bom começo. Como sabemos, hoje quase todas as crianças brasileiras de 7 a 14 anos estão no Ensino Fundamental. Agora é hora de pensar no Ensino Médio.

 Por: Marina Azaredo